Seção 1: O que é Transação Tributária?
A transação tributária é uma forma legal de extinção do crédito tributário, em que acontece concessões recíprocas entre o Fisco e o contribuinte, aplicável aos débitos inscritos em dívida ativa da União e administrados pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Diferentemente do parcelamento ordinário, a transação permite:
- Redução de encargos legais
- Prazos diferenciados de pagamento
- Análise individualizada da situação do devedor
Neste artigo, apresento um guia jurídico passo a passo sobre como negociar dívida ativa com a PGFN por meio da transação tributária.
1.1 Fundamento legal da transação tributária
O instituto encontra respaldo jurídico nos seguintes dispositivos:
- Art. 171 do Código Tributário Nacional (CTN) – autoriza a transação como forma de extinção do crédito tributário
- Lei nº 13.988/2020 – regulamenta a transação na cobrança da dívida ativa da União
Portanto, a transação tributária não constitui benefício concedido de acordo com a vontade governamental, mas sim instrumento legal previsto expressamente no ordenamento jurídico brasileiro.
1.2 Diferenças entre transação tributária e parcelamento comum
Do ponto de vista jurídico e prático, destacam-se as seguintes diferenças:
| Critério Jurídico | Transação Tributária (Lei nº 13.988/2020) | Parcelamento Convencional |
|---|---|---|
| Base legal | Art. 171 do CTN e Lei nº 13.988/2020 | Leis e normas infralegais específicas de parcelamento |
| Natureza do acordo | Negociação com concessões recíprocas entre Fisco e contribuinte | Adesão a condições padronizadas |
| Descontos concedidos | Possibilidade de descontos sobre juros, multas e encargos legais | Sem descontos relevantes |
| Análise da capacidade de pagamento | Sim, com base no perfil econômico-financeiro do contribuinte | Não há análise individualizada |
| Prazos de pagamento | Flexíveis, podendo chegar a até 84 meses (ou mais de 100 meses para ME/EPP) | Prazos limitados e previamente fixados |
| Modalidades disponíveis | Transação por adesão, individual simplificada, ou individual | Parcelamento ordinário ou especial |
| Uso de créditos | Permitido o uso de precatórios e créditos líquidos e certos | Via de regra, não permitido |
| Suspensão de cobranças | Suspensão da exigibilidade do crédito e das execuções fiscais | Suspensão restrita ao parcelamento, sem benefícios adicionais |
| Benefício econômico | Elevado, conforme perfil do débito e do contribuinte | Reduzido ou inexistente |
| Risco de rescisão | Vinculado à inadimplência ou descumprimento de obrigações fiscais | Vinculado principalmente ao atraso das parcelas |
Assim, a PGFN transação tributária apresenta-se como solução mais eficiente e proporcional.
Seção 2: Diagnóstico Jurídico das Dívidas
Antes de você, empresário, aderir a qualquer modalidade de transação, é indispensável realizar um diagnóstico jurídico-tributário da sua situação fiscal. A seguir, ensino-lhe como fazer isso.
2.1 Consulta de débitos no Portal Regularize
A consulta deve ser realizada no Portal Regularize, ambiente oficial da PGFN:
🔗 https://www.regularize.pgfn.gov.br
Nesse portal, é possível:
- Identificar débitos inscritos em dívida ativa
- Verificar parcelamentos vigentes
- Consultar editais abertos de transação
2.2 Identificação do perfil do contribuinte
A PGFN classifica o contribuinte conforme critérios objetivos, tais como:
- Capacidade de pagamento
- Porte da empresa (ME/EPP)
- Situação de recuperação judicial
- Natureza do débito
Essa classificação influencia diretamente:
- Percentual de descontos
- Quantidade de parcelas
- Exigência de entrada mínima
Seção 3: Preparação da Documentação
A formalização da transação exige documentação hábil a demonstrar a situação financeira do contribuinte.
3.1 Documentos fiscais e contábeis
Entre os principais documentos exigidos, destacam-se (essas exigências variam de acordo com o porte da empresa, em razão da contabilidade ser simplificada no Simples Nacional):
- IRPJ
- DCTF
- ECF
- Balanço patrimonial
- Demonstrações contábeis atualizadas
3.2 Demonstração da capacidade de pagamento
A comprovação da capacidade de pagamento pode envolver:
- Declaração específica no portal
- Fluxo de caixa projetado
- Relatórios financeiros
A apresentação adequada desses documentos é essencial para viabilizar melhores condições na negociação.
3.3 Créditos e garantias utilizáveis
A legislação permite a utilização de:
- Precatórios federais
- Créditos líquidos e certos
- Créditos de terceiros (nos termos legais)

Seção 4: Simulação e Escolha da Modalidade
4.1 Simulação das modalidades disponíveis
No Portal Regularize, o contribuinte pode:
- Simular transações por adesão
- Analisar editais vigentes
- Visualizar valores, descontos e prazos
4.2 Análise jurídica das condições ofertadas
É recomendável avaliar:
- Percentual de desconto legalmente permitido
- Impacto financeiro das parcelas
- Riscos de inadimplência futura
A análise jurídica prévia evita a celebração de acordos inviáveis.
Seção 5: Adesão à Transação Tributária
5.1 Formalização do acordo
A adesão ocorre de forma eletrônica, mediante:
- Preenchimento das informações exigidas
- Aceite dos termos legais
- Confirmação da proposta
5.2 Pagamento da entrada e consolidação
Quando exigida, a entrada deve ser quitada via DARF. Após o pagamento:
- O acordo é formalizado
- A exigibilidade do crédito é suspensa
- As execuções fiscais ficam sobrestadas
Seção 6: Cumprimento do Acordo e Obrigações Posteriores
6.1 Adimplemento das parcelas
O pagamento pontual das parcelas é condição essencial para manutenção dos benefícios concedidos.
6.2 Regularidade fiscal superveniente
O contribuinte deve manter:
- Tributos correntes em dia
- Ausência de novas inscrições em dívida ativa
6.3 Consequências do inadimplemento
O descumprimento pode acarretar:
- Rescisão da transação
- Perda dos descontos concedidos
- Retomada das medidas de cobrança
Benefícios Jurídicos da Transação Tributária
- Redução legal de até 50% (ou 70% para ME/EPP)
- Parcelamento em até mais de 100 meses (mais de 8 anos para pagar!)
- Suspensão de execuções fiscais
- Regularização da situação fiscal
- Possibilidade de emissão de CND
Considerações Jurídicas Finais
A transação tributária consolida-se como um instrumento jurídico eficaz de solução consensual de conflitos fiscais, alinhado aos princípios da eficiência administrativa e preservação da atividade econômica.
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